quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PROJETO 2

Projeto 2

Esse projeto se baseia em tanques de criação diminuindo o custo de energia e alimentação da rã .
Cada tanque desses pode suportar de 2000 a 2500 rãs , mas os cuidados tem que ser os mesmo que o convencional apresentado acima.
 Verificar diariamente se não há canibalismos entre as rãs
 Verificar diariamente se não há doenças ou pragas atacando as rãs
Manter o tanque com água limpa



Alimentação

Fora a convencional com vibradores você  pode adicionar mais duas fontes como desenho abaixo

  • Luminárias solares : são luminárias que carregam durante o dia e a noite acendem permanecendo acesas por 8 horas  atraindo insetos para as rãs.
  • Vasilhas  de alimentação : são colocadas com larvas de mosquito ou mesmo minhocas  .
Larvas de mosquitos podem ser adquiridas com a seguinte forma :
·       Mistura – se uma banana amassada com leite em pó mais farinha de peixe e umidece com um pouco de água e a deixe em local aberto que os mosquitos colocaram suas desovas e depois de 12 horas as larvas que pode ser colocadas para as rãs
·       Ou construir um minhocario  





Dimensões 

  • Tanque de água:  2 m X 2 m  X 50 cm
  • Alvenaria em volta do tanque : 4 m X 4m
  • Luminárias : 6 luminárias solar
  • Vasilha :   4 vasilhas para por larvas e minhocas  2 vasilhas com vibradores para ração
  • Telhas : colocar telhas sobre tijolos para esconderijo durante o dia
  • Tela : cobrir o tanque com tela para que as rãs ou ate mesmo os girinos não sejam atacados por predadores
  • Muita dedicação e boa vontade para que tudo de certo 

PROJETO 1

Projeto 1

O que os Iniciantes devem saber antes de iniciar uma Criação Comercial

•         As rãs após a metamorfose são canibais (uma come a outra), carnívoras e caçadoras, ou seja, precisam ser induzidas ou condicionadas a se alimentar de alimentos que elas “acreditam” estarem vivos ou em movimento.
•         Seu desenvolvimento depende diretamente da temperatura.
•         Antes de iniciar seu empreendimento verifique a documentação necessária junto aos órgãos competentes (DEPRN, DAEE, CETESB e IBAMA).
•         Se pretende trabalhar com um organismo que é estreitamente dependente da água é necessário antes da implantação realizar uma análise física, química e microbiológica da água.
•         Os ranários de São Paulo em sua grande maioria ocupam uma área média construída de 500 m2. Para dimensionar seu empreendimento calcule primeiro o quanto você irá querer de lucro, o quanto você tem para aplicar no negócio e a taxa de retorno. Só então inicie a construção de suas instalações.
•         A quantidade de água média (= vazão) utilizada em um ranário de 500 m2 (conforme sugestões apresentadas pelo IP) é de 0,5 litros por  segundo.
•         O custo médio para a construção de um ranário segundo sugestão do IP, em região próxima a São Paulo, é de aproximadamente R$ 50,00 a R$ 70,00 por metro quadrado.
•         O custo de produção médio de um quilo de carne de rã é de aproximadamente R$ 14,00.
 
Telefones Úteis

•                        Instituto de Pesca: 11-3871.7548
•                        IBAMA: 11- 3066.2633 ou 3066.2657


Histórico da Ranicultura


Compreende um conjunto de instalações, associadas a técnicas de manejo especialmente desenvolvidas para cada um dos setores da criação. A padronização das instalações e a sistematização do manejo de rotina, tem possibilitado uma evolução gradativa dessa tecnologia. A exemplo de outras atividades da produção animal, o sucesso da criação de rãs passou a ter um desenvolvimento efetivo depois que construções mais adequadas foram associadas às técnicas de manejo sistematizado, possibilitando um bom desempenho no crescimento do plantel aliado à baixa mortalidade. Tal premissa é contemplada pelo sistema anfigranja, onde a rã-touro tem apresentado níveis de produtividade comparáveis às criações tradicionais como a piscicultura, avicultura, etc.


No processo de desenvolvimento tecnológico do Sistema Anfigranja, inicialmente os pesquisadores contemplaram o setor de recria, onde os elementos básicos do piso (cocho, abrigo e piscina) se dispõem linearmente em área proporcional ao número de rãs que são alojadas em cada baia (Lima & Agostinho, 1988);  recentemente inovações foram introduzidas, com pequenas modificações no perfil do cocho e centralização da piscina, mantendo-se a mesma disposição linear (Lima, 1997). O setor de reprodução possue uma baia de mantença com piso semelhante ao da recria, com baias de acasalamento em anexo (Lima & Agostinho, 1992).   O setor de girinos se caracteriza pela padronização das instalações (tanque circular ou retangular) e sistematização do manejo associado a um mecanismo auto-limpante, composto de uma rede hidráulica em alta pressão e fundo com uma moega (tipo funil) acoplada a um tubo em cotovelo para o escoamento dos resíduos (fezes, restos de ração e gases) como indicado em Lima (1997).
Um ranário que adota o Sistema Anfigranja pode ser, resumidamente, assim descrito:
O Setor de Reprodução é constituído de duas áreas distintas: as baias de mantença e as de acasalamento. Na primeira, as rãs reprodutoras são mantidas confortavelmente durante todo o ano, sendo transferidas para as baias de acasalamento quando ranicultor necessita de desovas. Essas baias de acasalamento podem ser para apenas um casal de cada vez (individualizadas), ou para vários casais (baias coletivas). Após a reprodução, a desova é transferida para o setor de girinos, e o casal retorna para a baia de mantença. Apesar dessa baia ser semelhante às do setor de recria, seus elementos básicos estão em número e dimensões proporcionais ao porte dos reprodutores, que são alojados em uma densidade bem inferior (Lima & Agostinho, 1992).

rã criada comercialmente em cativeiro no Brasil é a rã-touro gigante (Rana catesbeiana). Este animal de origem norte americana foi introduzido em nosso país em 1935, e foi escolhido pelos criadores devido as suas características zootécnicas tais como: precocidade (crescimento rápido), prolificidade (alto número de ovos por postura), e rusticidade (facilidade de manejo). Outras espécies de rãs (nativas do Brasil como a rã-pimenta, rã-manteiga ou paulistinha), também podem ser criadas em cativeiro, mas apresentam comparativamente com a rã-touro, até o momento, menor desempenho produtivo e maiores dificuldades técnicas e burocráticas.

As rãs possuem características biológicas e fisiológicas bem distintas dos animais comumente criados. O seu ciclo de vida compreende uma fase exclusivamente aquática, onde recebem o nome de girinos, e outra terrestre (rã propriamente dita), porém com extrema dependência da água.




Detalhes do Setor de Reprodução






Tanques do Setor de Girinos





No Setor de Recria, constituído de baias de recria inicial e baias de terminação. Essas baias consistem de abrigos, cochos e piscinas dispostos linearmente e adequados ao tamanho dos animais.
As baias de recria inicial, recebem os imagos após a metamorfose, oriundos ou não de uma mesma desova. Quando as rãs alojadas nessas baias alcançam de 30 a 40 g, são tiradas e transferidas para as baias de crescimento e terminação. As baias de crescimento e terminação, são destinadas a receberem lotes uniformes de rãs oriundas das baias de recria inicial, onde permanecem até atingirem o peso de abate. Nesse momento, são enviadas para a industria de abate e processamento.


Histórico e Situação Atual

 
 A ranicultura paulista teve seu início em 1939 através do fomento realizado pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Atualmente podemos dizer que a rã-touro é a única espécie utilizada pelos ranários comerciais brasileiros. Ela é a melhor rã para a criação intensiva e adaptou-se perfeitamente as nossas condições climáticas. Segundo dados publicados em 19991 o Brasil apresenta aproximadamente 600 ranários implantados, 15 indústrias de abate e processamento (7 com SIF e SIE e 8 com processos em andamento), 6 associações estaduais de ranicultores e 4 cooperativas.
A área média recomendada para a implantação de um ranário rentável comercialmente varia entre 500 a 700m2. Com esse projeto o ranicultor pode atingir uma produção de anual média de 2.000 Kg de carne. Recomenda-se água de boa qualidade preferencialmente de mina ou poço. O custo de implantação médio no Estado de São Paulo varia entre R$ 50,00 a R$ 70,00/m2 de área construída. O custo de produção médio é de aproximadamente R$ 14,00/Kg de carne, e o preço médio no atacado em São Paulo gira em torno de R$ 17,00 a R$ 22,00/Kg de carne (AGO/07).
Praticamente toda a produção brasileira (cerca de 400 ton./ano) é absorvida pelo mercado interno, mas o Brasil possui condições de conquistar grande espaço no mercado externo, porém necessita preparar-se para tal. Existem também novos nichos de mercado interno a serem conquistados  

VALORES NUTRICIONAIS

Valores Nutricionais da Carne de Rã

 
A carne de rã destaca-se nutricionalmente por sua grande quantidade de proteínas de alto valor biológico e por seu baixo teor em gorduras e por estas características é indicada para dietas hipocalóricas. Em termos comparativos, podemos notar que a carne de rã possui menor valor calórico e menor teor de lipídeos que as carnes de aves e peixes.
Tabela: Composição química e valor calórico de alguns tipos de carne branca.
                             Rã Touro      Rã Pimenta        Galinha         Pescado
                                                           (carne magra)
Calorias (Kcal/100g)         69,65           82,34                  117,70             91,00
Proteínas (g/100g)             16,13           19,01                    22,00             20,50
Lipídeos (g/100g)                0,57             0,70                      3,30               1,00
Cinzas (g/100g)                   0,57             0,67                      1,00               1,40
Umidade (g/100g)             82,71            78,51                   73,70             77,10
Fonte: * Dados obtidos da Tabela do ENDEF (1979)

PROCESSO DE PRODUÇÃO

O Processo de Produção

A produção de rãs em cativeiro (ranicultura) é uma atividade relativamente nova. A cadeia produtiva compreende: a criação de rãs (ranários), a indústria de abate e processamento e a comercialização dos produtos oriundos da ranicultura. A Figura 1 ilustra todas as etapas da cadeia produtiva, que pode ser assim resumida: Inicia-se no ranário, onde se processam todas as fases do ciclo de vida das rãs: a desova, a fase de desenvolvimento do girino até a metamorfose e a recria (processo de engorda dos animais). Concluída a recria, as rãs são levadas para o abate nas indústrias de processamento especializadas (abatedouros),  seguindo rigorosamente as normas higiênico-sanitárias definidas pelos organismos de saúde pública. Processada e embalada, a carne é enviada para o mercado consumidor.
 





Condições Básicas Necessárias para se montar um Ranário

 
•       Terreno próximo aos centros consumidores e pouco acidentado, variando seu tamanho e acordo com a produção almejada (tamanho médio 500 a 1000 m2).
•       Água de boa qualidade, sem coliformes fecais, metais pesados e ferro, com pH neutro, sendo preferencialmente de mina ou poço artesiano.
•       Disponibilidade de mão-de-obra tempo integral (2a a 2a).
•         Condição financeira adequada ao tamanho do projeto.
•         Locais com a temperatura ambiente mais elevada são recomendados, pois as rãs são animais ectotérmicos, adaptando sua temperatura corporal ao ambiente. Em outras palavras “quanto mais quente melhor”.
•         É aconselhável que o terreno escolhido possua luz elétrica, o que auxiliará na manutenção de um caseiro ou responsável e a utilização de bombas, freezer etc..
 

Instalações e Manejo


Os ranários comerciais, em sua maioria, são constituídos por vários setores tais como: Reprodução, Desenvolvimento Embrionário, Girinagem, Metamorfose e Engorda. O setor de Engorda representa cerca de 70% das instalações em um ranário.
Para os setores de reprodução e engorda são necessárias áreas secas com cochos e abrigos e uma área com piscina. As outras fases são exclusivamente aquáticas.
Todos os tanques são construídos em alvenaria com cobertura de tela de náilon, geralmente sombrite 50%, e ficam sob estufas ou galpões agrícolas. Dessa forma pode-se promover o aumento da temperatura ambiente, permitindo assim um desenvolvimento mais rápido dos animais.
 O tempo que o animal leva desde a fase de ovo até o peso de abate é em média de 7 meses, e varia conforme a temperatura, manejo, alimentação e potencial genético. Destes 7 meses apenas 4 meses são relativos à engorda propriamente dita, sendo que os 3 meses  iniciais são relativos ao tempo em  que ocorre a eclosão dos ovos de onde saem os girinos que crescem e sofrem a metamorfose (ou seja, as diversas transformações internas e externas pelas quais passam os girinos até se transformarem em rãs jovens. O peso de abate varia conforme a região e o consumidor alvo variando de 170 g a 250 g. Uma rã abatida pesa em média aproximadamente 100 g.



Alimentação

 
Para os girinos recomenda-se administrar ração farelada de trutas ou rãs com 35 a 40% de proteína bruta. 
Já para as rãs, a ração a ser ofertada, deve ser peletizada ou extrusada com 40% de proteína bruta, que pode ser acrescida de 20% de larvas de dípteros, ou oferecida sobre cochos vibratórios, ou ainda “a lanço” dentro da parte aquática, conforme o sistema de engorda adotado.

PROCESSO DE ABATE

O Processo de Abate


O sucesso na exploração da ranicultura depende não só do manejo, mas também da atenção com relação às condições de higiene em que o animal é criado e posteriormente abatido e processado. A obtenção de uma matéria-prima dentro dos padrões higiênico-sanitários é mais que uma garantia de qualidade do produto.
O abatedouro de rãs é constituído essencialmente pelas áreas de: recepção (área suja); evisceração (área limpa); embalagem; congelamento, estocagem e expedição. Quando elabora outros produtos além da carne “in natura”, possui também uma sala de processamento. Pela legislação brasileira, a rã é conceituada como “pescado” e além de abatedouros exclusivos para rãs, existem plantas em operação atuando também com o abate e processamento de peixes, caracterizando-se como verdadeiros entrepostos de pescados.
Os abatedouros, como qualquer empresa regularizada, passam pela fiscalização dos órgãos competentes, sendo necessária a satisfação de uma série de pré requisitos previamente estabelecidos quanto ao projeto a ser executado, de acordo com a esfera de competência segundo as características da planta industrial. Pela legislação brasileira o sistema de fiscalização pode ser municipal, para comercialização dentro do município, estadual quando a comercialização se dá dentro do estado e federal para comércio nacional e internacional. No último caso, deve-se atender também à legislação do país importador.
É necessário frisar que o projeto de um abatedouro deve satisfazer à legislação competente ao setor à que se relaciona, ao impacto ambiental e, também de viabilidade econômica que envolve a produção de matéria prima, o mercado, os produtos, etc. As fotografias a seguir, ilustram rotinas em plantas de abate.


As rotinas operacionais em um abatedouro após o recebimento e pré-seleção dos animais ocorre da seguinte forma: após um período de no mínimo 24 horas de jejum e dieta hídrica (para o esvaziamento intestinal e recuperação do estresse de transporte), o animal segue para a linha de abate. Na área suja, é insensibilizado e sofre a sangria. Na área limpa, procede-se à retirada da pele, a evisceração e limpeza final da carcaça. Em seguida procede-se aos cortes e ao processamento se for o caso, e então os produtos são acondicionados em embalagens próprias, rapidamente congelados e armazenados nas câmaras frias, onde permanecem até a expedição. A Figura 1, ilustra a seqüência geral de operações, não se prendendo a detalhes que podem variar entre abatedouros.
 

Atualmente os abatedouros em operação abatem diáriamente em média, de 1.500 a 4.000 animais (peso médio de 180-200 g) por jornada de trabalho de 8-10 horas, empregando cerca de 10 funcionários na linha, com aproveitamento somente da carne. A concentração do abate em instalações específicas, viabiliza economicamente o aproveitamento de todo o animal; o fígado pode ser aproveitado para consumo humano na forma de patê, a pele para fins diversos, o óleo para aplicação na indústria de perfumaria ou outras, e os rejeitos para reciclagem na forma de ração, com a conseqüente redução dos preços do produto principal. A carne (carcaça completa), em termos percentuais pode atingir 55% do peso do animal vivo.
 
 
Produtos e Subprodutos da Rã
A Carne

Carne, é definida como os tecidos animais que são convenientes para o uso como alimentos, obtidos de animais sadios, respeitando técnicas higiênico sanitárias durante o abate e manuseio posterior. Em nosso meio, para conceito assim amplo, é freqüentemente empregado o termo no plural – carnes – envolvendo inclusive as vísceras. Todos os produtos processados ou manufaturados que podem ser preparados desses tecidos estão incluídos nessa definição. Embora quase todas as espécies de animais possam ser usadas para a produção de carnes, a maioria das carnes consumidas por humanos provêm de animais domesticados e organismos aquáticos. Estes últimos denominados genericamente de “pescado”, compreendem os peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, quelônios e mamíferos de água doce ou salgada, usados na alimentação humana.
A rã (anfíbio), utilizada nos criatórios comerciais para a obtenção de carne, é a Rana catesbeiana, um animal exótico, originário da América do Norte. A carne de rã é comercializada no Brasil na forma de carcaças inteiras ou de coxas congeladas. O rendimento médio (entre sexos) da carcaça é de aproximadamente 52,0% e das pernas (coxas) de 27,4% em relação ao peso vivo, dependente ainda da idade, do sexo e da faixa de peso do animal.
No exterior o consumo é essencialmente das pernas (coxas) que representam (entre sexos) 52,7% da carcaça. Entretanto o dorso, região da carcaça que não tem valor no mercado internacional, pode ser processado e comercializado na forma de outros produtos de maior valor agregado através do desenvolvimento da tecnologia de Carne Mecanicamente Separada (CMS) de rã. É importante ressaltar que o dorso, incluindo os braços, representa 47,3% da carcaça, dos quais 87% é músculo.
 


 Carcaças de rãs,
embaladas,inteiras


A carne de rã, uma carne definida como branca, é indiscutivelmente um alimento muito apreciado pelo sabor, sendo rica em proteínas de alto valor biológico. A carne de rã tem composição protéica semelhante às de outras carnes brancas magras apresentando em média, 16 a 19% de proteínas, teor de lipídeos 0,3 a 0,7% e valor calórico 69 Kcal/100 g. O baixo teor em lipídeos da carne de rã torna sua utilização promissora em dietas de restrição calórica e/ou lipidica, como ocorre na prescrição dietoterápica para obesos, hipertensos e/ou hipercolesterolêmicos. A carne de rã vem sendo indicada nos tratamentos de doenças gastrointestinais e alérgicas de várias origens, nesse sentido existem relatos de seu uso no tratamento de pessoas idosas e de crianças e, em hospitais por administração de homogeneizado por cateteres intestinais para alimentar pacientes que se encontram mais susceptíveis às infecções. Possui ainda baixo teor de colesterol (cerca de 40 mg/100 g) quando comparada a outras carnes, tais como a de boi (120 a 200 mg/100 g), porco (100 a 300 mg/100 g) e frango (100 a 150 mg/100 g); contribui ainda na dieta, com cálcio (75 mg/100 g), ferro (1 mg/100 g), fósforo (200 mg/100 g), magnésio (22 mg/ 100 g), potássio (242 mg/100 g) e niacina (2,7 mg/100 g). Os valores reportados são relativos à carne crua. Em suma, a carne de rã apresenta grande versatilidade quanto ao seu uso em culinária, podendo ser empregada numa grande variedade de pratos, sendo um alimento de sabor agradável com excelente potencial de aceitação e muito apreciado.

O Fígado


O fígado (5% do peso vivo do animal), castanho-avermelhado, é um órgão formado por três lóbulos situado na cavidade visceral posterior ao coração. O fígado é um órgão filtrante e de armazenamento. Pode ser utilizado para a fabricação de patês, assim preparado é uma fina iguaria, apreciada por seu sabor e aroma delicados.


A Pele


A pele (11 % do peso vivo do animal) curtida, é empregada como matéria prima na produção de inúmeros objetos, como cintos, pulseiras, ornamentos do vestuário, bijuterias, carteiras, bolsas, sapatos e luvas. Pode ainda ser empregada em encadernações, revestimento de porta jóias e outras embalagens industriais requintadas. Com tratamento adequado para promover sua limpeza e esterilização, tem-se notícia da iniciativa por alguns médicos, de sua aplicação no tratamento de queimados.


O Corpo Gorduroso


Extraído do corpo gorduroso, órgão específico para a deposição de gordura na rã-touro, o óleo vem sendo estudado como ingrediente para a indústria de cosméticos. Seu percentual em relação ao peso vivo dos animais varia em decorrência da época do ano e do estágio de maturação reprodutiva. Atinge em média 4,6% do peso vivo em animais adultos.


O Oviduto


Os ovidutos, de coloração esbranquiçada, são enovelados como uma serpentina, sendo ricos em um certo tipo de albumina, substância com expressiva capacidade de retenção de água e aparente efeito germicida pois permanece estável na água por vários dias agregando os ovos após a postura. Os ovidutos variam muito de tamanho dependendo do ciclo reprodutivo do animal, durante a maturação reprodutiva eles estão grandemente intumescidos e ocupam uma grande porção da cavidade abdominal juntamente com os ovários. Os ovidutos, por conterem essa mucilagem, podem vir a ser ingredientes importantes na indústria de alimentos para o fabrico de produtos especiais.


Os Ovários


Os ovários como os ovidutos variam grandemente dependendo das estações do ano. Durante a maturação reprodutiva eles estão grandemente distendidos e ocupam uma grande porção da cavidade abdominal, aumentando o volume aparente deste. Os ovos apresentam duas faces, uma branca e outra negra, são de forma esférica, visíveis imediatamente após a abertura da cavidade toráxica. Fora do período reprodutivo os ovários e os ovidutos são insignificantes em tamanho, na maturação reprodutiva alcançar 10% do peso vivo.
 

 
fígado, pele, corpo gorduroso, oviduto, ovário
Rejeitos


Os rejeitos, são constituídos pela cabeça, pontas das patas, vísceras brancas (sistema digestivo) e os líquidos (sangue) perdidos durante o abate. Os rejeitos, com exceção da parte líquida, podem ser reciclados na forma de ração animal, estes representam em média 22,7% do animal vivo.
O potencial de aproveitamento da rã-touro é praticamente 100%, apesar de na atualidade somente sua carne ter aproveitamento comercial. A médio prazo vislumbra-se a possibilidade de seu aproveitamento integral devido ao volume gerado pela concentração dos abates em plantas específicas, sendo mais lucrativo para o empresário a agregação de valor na produção industrial de subprodutos do que no investimento para o tratamento de resíduos.


A Carne


Partindo do princípio de que a carne de boa qualidade só é obtida quando animais sadios são abatidos sob boas condições higiênicas, abordar-se-ão inicialmente as características do local onde as rãs serão abatidas.
Com relação à sala de abate, esta deverá ter paredes que permitam uma boa higienização, de preferência azulejadas. Janelas e portas deverão ser teladas para evitar a entrada de moscas e proporcionar boa iluminação e ventilação. O material utilizado no piso deve ser impermeável. o piso também deve ser dotado de uma canaleta central permitindo o escoamento das águas residuais. Água em abundancia e de boa qualidade é um dos pontos fundamentais.
A água que abastece a sala de abate deve ser clorada separadamente com hipoclorito de sódio a 10% (50 ml / 1000L de água) ou água sanitária a 2% (250 ml / 1000L de água). Os equipamentos e instrumentos utilizados no abate devem estar em perfeitas condições de uso e limpeza. É importante também, que os responsáveis por esta etapa do ciclo de produção, sejam pessoas esclarecidas e conscientes da importância do fator higiene, devendo utilizar vestuário adequado, lavar as mãos, etc.


Operações do abate


- Seleção dos animais: em função do peso - 160 a 179 gramas
- Jejum por 48 horas: para limpeza dos intestinos (purga).
- 1ª lavagem: na área do próprio tanque. Colocar os animais numa caixa de plástico ou isopor contando 10 litros de água + 500 ml de cloro. Lavar 50 animais por vez, sendo que esta solução permite a lavagem de até 400 animais.
- 2ª lavagem: na recepção do abatedouro, utilizando água corrente proveniente da caixa d'água que abastece a sala de abate (água clorada).
- Insensibilização dos animais: a insensibilização das rãs é obtida através de choque térmico, com conseqüente paralisação e anestesia dos animais. Colocam-se aproximadamente 200 rãs, em uma caixa de isopor de 120 litros de capacidade, contendo 50 litros de água, 1,5 a 2,0kg de sal grosso e bastante gelo. Após aproximadamente 10 minutos as rãs estarão imóveis.

- Retirada da pele: prende-se a rã, com auxílio de um gancho de aço inoxidável (anzol) preso a um suporte. O gancho deve perfurar a cabeça, no sentido mandíbula-centro da cabeça. Isto permite o manuseio livre do animal, e o operador terá as duas mãos desocupadas. Esta operação como todas as que se seguem deverão ser feitas sob água corrente clorada.

- Corte da pele: com uma faca bem afiada realiza-se um corte superficial ao redor do que seria o pescoço, com cuidado para não atingir a carne.

- Retirada da pele: com auxílio dos dedos polegares e indicadores, solta-se a pele ao redor do pescoço, puxando-a inteira, na sentido cabeça-cloaca seccionando-a na altura do anus. A pele sai inteira em forma de macacão.

- Abertura do abdômen: retira-se o animal do suporte e com uma faca ou tesoura cirúrgica faz-se um corte na região abdominal no sentido cloaca-cabeça, com muito cuidado para não perfurar os órgãos internos. Esta operação é realizada mantendo-se a cabeça do animal mais baixa de modo que a água escorra dos pés para cabeça.

- Evisceração: mantendo-se o animal de cabeça para baixo e ainda sob água corrente, desloca-se a víscera no sentido cloaca-cabeça, seccionando-se de uma só vez, a cabeça e órgãos internos juntos.

- Corte das patas e limpeza da carcaça: as patas são seccionadas nas articulações. Em seguida lava-se a carcaça sob água corrente para retirada do sangue coagulado. Essa operação também é conhecida como "toalete". Concluída essa operação, coloca-se as carcaças sobre uma bandeja perfurada para que escorra todo o excesso de água.
 Formas de Comercialização

A comercialização das rãs pode ser feita das diversas maneiras que se seguem:
• Rãs vivas para o abate;
• Carne ou rãs abatidas, sendo as carcaças inteiras, vendidas frescas ou congeladas, de acordo com as circunstâncias;
• Pernas de rãs, destinadas principalmente à exportação para os Estados Unidos e outros países que só consomem essas partes;
• Carne de rã industrializada, enlatada ao escabeche, ao creme, etc.,
• Patê de fígado;
• Couros secos ou curtidos;
• Reprodutores adultos ou quase em fase de reprodução;
• Girinos selecionados para a reprodução;
• Girinos de corte para a recria e engorda,
• Rãs para laboratórios e cujas especificações são ditadas pelos compradores;
• Rãs para Faculdades e escolas, para estudos, pesquisas e testes.
Como toda atividade no País, a ranicultura requer dedicação do produtor, técnica e paciência para obter o retorno financeiro. A área média recomendada para a implantação de um ranário rentável comercialmente varia entre 500 e 700 m2. Com esse projeto o ranicultor pode atingir uma produção anual de 2.000kg de carne. Atualmente o custo de implantação médio no Estado de São Paulo varia entre R$ 30,00 a R$ 50,00/ m2 de área construída. O custo de produção médio é de aproximadamente R$ 5,00/ kg de carne, tendo como seu fator mais oneroso o preço da alimentação, e o preço médio no atacado em São Paulo gira em torno de R$ 9,00 a R$ 14,00/ kg de carne (2000).

REPRODUTORES

Reprodutores


- Densidade no setor de reprodução: 2,5 a 3 animais/m²;
- Proporção entre machos e fêmeas: 1 macho para 1 fêmea;
- Alimentação: ração peletizada misturada com larvas de moscas, na proporção de 80% de ração e 20% de larvas. A ração para trutas é utilizada com bastante sucesso, e o teor protéico varia de 46% - na fase de crescimento a 48% - na fase inicial.

Atenção: Evitar o manuseio dos animais na época da reprodução. Ao comprar reprodutores, escolher os animais que apresentem aspeto saudável, pele brilhante, ausência de machucados, deformações, etc. Deve-se dar preferência aos animais que apresentem pernas longas e uma boa conformação corpórea e seu peso deverá ser no mínimo de 200 a 250 gramas. Tomar cuidado com a procedência dos animais para evitar problemas de consangüinidade, que pode resultar no aparecimento de animais com deformações, queda de produção , etc..


Desovas


- Coleta: as desovas são coletadas nos tanques de postura com o auxílio de uma bacia. Basta afundar a bacia na água que a desova vem junto. Após a coleta os ovos são transferidos para os tanques de eclosão.
Atenção: O manuseio das desovas deve ser cuidadoso para evitar choques mecânicos. Ao colocar a desova no taque da eclosão deve-se despejá-la cuidadosamente sobre um quadro de sarrafos com fundo da tela de nylon - tipo mosquiteiro, que tem a função de manter os ovos na superfície da água.


Girinos


- Densidade nos tanques de crescimento e metamorfose: 1 girino por litro de água.
- Densidade nos tanques de estocagem: 20 a 25 girinos por litro de água.
- Alimentação: ração finamente moída - quanto menor o tamanho das partículas da ração, melhor será o seu aproveitamento pelos girinos - é jogada à lanço sobre a superfície da água. Com relação à quantidade de alimento, deve-se fornecer uma porção diária correspondente a 10% do peso vivo dos animais, que deverá ser baixada a 5% quando do início da metamorfose. Essa porção diária não deverá ser fornecida de uma só vez, mas dividida em três ou quatro vezes.
- Recomendações: Ao se realizar uma contagem, separação por tamanho ou estágio de desenvolvimento ou qualquer tipo de manejo onde os girinos ficam temporariamente fora da água, deve-se manuseá-los cuidadosamente, pois sua pele é muito delicada. Deve-se evitar também fazer este tipo de serviço nas horas mais quentes do dia e, de preferência, fazê-lo na sombra.
Nos tanques de girinos é preciso ficar atento quanto à presença de predadores que podem causar sérios prejuízos ao criador. Existem varias espécies de predadores: insetos (baratas d'água, ninfas de libélula), peixes (traíra, muçum), aves (bem-te-vi, martim-pescador) e répteis (cobras). Para evitar a sua entrada nos tanques, deve-se cobri-los com tela de nylon e instalar filtros de areia nas entradas de água.


Imagos


- Densidade: nos tanques de pré-engorda ou seleção fenotípica, utiliza-se uma densidade de até 100 imagos/m².
- Alimentação: na fase inicial utilizar ração peletizada - pellets pequenos - para trutas, misturada com larvas de mosca, inicialmente na proporção de 50% de ração e 50% de larvas. Depois que os animais estiverem condicionados ao consumo de ração, deve-se baixar a quantidade de larvas para 20%. Com relação à quantidade de alimento a ser fornecida diariamente, recomenda-se que esta seja suficiente para que haja sempre uma pequena sobra no dia seguinte.
- Recomendações: Os imagos devem ser manuseados com cuidado e deve-se escolher as horas mais frescas da dia, trabalhando sempre na sombra. Ao se fazer uma triagem ou transporte de um tanque para outro, os baldes onde os animais serão colocados deverão ter pouca água, de tal forma que os imagos possam ficar apoiados no fundo do balde.
As rãs apresentam crescimento bastante heterogêneo, isto é, umas crescem mais que as outras, resultando numa desuniformidade do tamanho dos animais. O canibalismo, onde as menores são devoradas pelas maiores, é uma conseqüência direta dessa desuniformidade e, para evitá-lo, são realizadas triagens periódicas na quais os animais são separados por tamanho e reagrupados por tanque de tal maneira que cada tanque de engorda abrigue lotes o mais homogêneo possível de animais.
Local Instalação
Na escolha do local de construção e instalação de um ranário, deverão ser observado alguns fatores: 

ÁGUA E CLIMA

Água :


A quantidade, qualidade e condição são indispensáveis para o êxito da criação de rãs. Deve-se observar os seguintes aspectos:
- Qualidades físico-químicas da água: o pH deve encontrar-se entre 6,5 e 8, sendo o ideal 7,O; Oxigênio dissolvido de 6 a 8 mg por litro de água; Teor de cálcio próximo a 20 mg por litro; Temperatura ideal entre 25ºC e 30ºC. Evitar água excessivamente turva, com excesso da matéria orgânica e alimento em suspensão, ou salobra.
- Nascentes: deve dar-se preferência a este tipo de fonte de água, ainda mais se estiver situada na propriedade, pois assim tem-se total controle sobre a qualidade da mesma. O ideal é que esteja localizada num nível mais alto que a do ranário, pois desta forma a distribuição da água dar-se-á por gravidade.
- Córregos: deve-se evitar a utilização de água de córregos, principalmente quando não se conhece a atividade desenvolvida ao longo do curso de água, devido o risco da contaminação por agrotóxicos, esgoto doméstico ou qualquer outro agente poluente.
- Poços: É outra opção que pode ser utilizada, entretanto deve-se ficar atento com relação ao teor de oxigênio dissolvido na água, pois águas de subsolo geralmente são pobres em oxigênio. Nesse caso ainda há o inconveniente, a não ser que se tenha um poço artesiano, da água ter que ser bombeada, resultando num aumento do custo de produção.
- Vazão disponível: essa medida deverá ser feita de preferência durante o inverno, na época das secas.


Clima:


Inicialmente é preciso esclarecer que as rãs são animais pecilotérmicos (de sangue frio), isto significa que a atividade metabólica delas está diretamente relacionada com a temperatura ambiente. Sob baixas temperaturas tornam-se letárgicas (pouco ativas) e sob altas temperaturas (35ºC) são muito ativas, alimentam-se bastante e crescem rapidamente.
Portanto, o clima da região onde o ranário será implantado, deverá preferencialmente apresentar temperaturas com média das máximas em torno de 30ºC ou mais, e média das mínimas não inferior a 15ºC.
Cabe aqui salientar que com a utilização das modernas técnicas de climatização, através do uso de estufas agrícolas, consegue-se amenizar significativamente o efeito negativo das baixas temperaturas e acelerar o desenvolvimento destes animais.