quarta-feira, 20 de agosto de 2014

CONSTRUÇÃO DO RANÁRIO

Construção do ranário:


- Rede hidráulica: a distribuição de água deve ser individual para cada tanque. Os tubos deverão ser de PVC (não usar tubos de ferro galvanizado, cobre ou chumbo, que podem liberar elementos tóxicos aos girinos). Evitar excesso de curvas na rede hidráulica a fim de diminuir as perdas de carga e as chances de ocorrer entupimento. O diâmetro dos tubos de entrada de água nos tanques deverá ser de 3/4 a 1 polegada e dos tubos de saída de 3 a 4 polegadas.
- Alvenaria: as partes de alvenaria, principalmente o piso dos tanques de engorda devem ser bem acabados. Rugosidades, cantos vivos e bordos cortantes devem ser evitados, pois podem causar ferimentos nos animais, assim com deve-se evitar também piso excessivamente áspero, o pode provocar ferimentos nos animais.
- O fundo dos tanques e piscinas deve ter uma inclinação de 1% a 2% em direção a saída de água para facilitar o escoamento de água e a limpeza dos mesmos.


Subdivisão do ranário


O ranário é composto por diferentes setores com estruturas físicas específicas descritas a seguir:
- Setor de Reprodução: formado por duas áreas, uma destinada a alimentação dos animais, constituída por uma piscina retangular com uma ilha no centro e, ao redor da piscina, na área seca, são distribuídos os abrigos. A outra área é formada por um conjunto de pequenos tanques (1,00 X 1,00 X 0,20 m), denominados tanques de postura ou desova. Os tanques de postura podem estar distribuídos ao redor da piscina ou apenas de um lado, mas a distância entre eles deve ser de 2 a 3 metros.
Tanto a piscina como os tanques de postura devem ser de alvenaria. Não existe nenhuma barreira física entre as duas áreas, sendo que os animais podem transitar livremente entre elas. Na época da reprodução os machos deslocam-se naturalmente para os tanques de postura, começam a coaxar atraindo as fêmeas; ocorre então o acasalamento e a desova. Este setor, assim como os demais, é coberto de tela (sombrite 50%), para evitar a entrada de predadores e também o excesso de radiação solar.
- Setor de eclosão ou Desenvolvimento Embrionário: Formado por um conjunto de tanques de alvenaria, geralmente com dimensões de 1,00 X 1,00 x 0,20 m , construídos no interior de uma estufa, cuja função é manter a temperatura estável, evitando variações bruscas que são prejudiciais nesta fase do desenvolvimento. As desovas recolhidas nos tanques de postura (Reprodução) são transferidas para os tanques de eclosão, nos quais ocorrerá todo o desenvolvimento embrionário, isto é, do ovo até a fase de girino.
- Setor de girinagem: Este setor é composto por um conjunto de tanques de crescimento e metamorfose e de tanques de estocagem.
- Tanques de crescimento e metamorfose: são tanques de alvenaria com profundidade que pode variar de 0,30 a 0,50 m, geralmente de formato retangular e dimensões variáveis (p. ex. 2,00 X 4,OO ou 2,50 X 10,00 m), dotados de uma canaleta lateral onde são coletados os imagos. Nesses tanques, como o próprio nome indica, ocorre o crescimento dos girinos e todo o processo de metamorfose.
- Tanques de Estocagem: São tanques de pequenas dimensões (geralmente caixas d'água de fibrocimento de 750 ou 1000 litros) onde, através de manejos específicos, consegue-se retardar o desenvolvimento dos girinos e desta forma regular o fluxo de produção do ranário.
Uma opção para baratear o investimento inicial na construção do ranário é a utilização de tanques-rede. Neste caso pode-se aproveitar açudes ou tanques naturais existentes na propriedade e neles instalar os tanques-rede, que são estruturas semelhantes a um cesto, confeccionados com tela de nylon - tipo mosquiteiro, com estruturas de ferro, PVC ou bambu.
Quando se utilizam esses tanques é preciso ficar atento à limpeza das telas, pois com o passar do tempo forma-se uma camada de algas filamentosas (limo) que poderá obstruir as malhas da tela, dificultando a renovação da água, tornando o ambiente impróprio ao desenvolvimento dos girinos.
- Setor de Pré- Engorda (Seleção Fenotípica): São tanques que apresentam uma piscina, abrigos e cochos, para os quais são transferidas as recém-matamorfoseadas e onde, através de um manejo específico, se faz uma seleção dos animais que passarão para os tanques de engorda.
- Setor de Engorda: O setor de engorda é composto por tanques que podem ser de diferentes tipos, entretanto todos possuem es seguintes estruturas em comum:
- Piscina: destinada ao atendimento das necessidades fisiológicas diárias das rãs, como regulação térmica, hidratação do corpo e evacuação.
- Abrigo: estrutura que pode ser de madeira, concreto ou fibrocimento, que funciona como refúgio para os animais, proporcionando-lhes maior segurança e tranqüilidade e conseqüentemente, diminuir o atraso causado pela entrada dos tratadores por ocasião do fornecimento do alimento ou limpeza dos tanques.
- Cochos: recipiente onde é colocado o alimento das rãs.
Os modelos de tanques de engorda mais comumente usados são os seguintes:
- Tanque-Ilha: é o modelo mais antigo e surgiu no final da década de 1970, resultante do empirismo dos ranicultores. Com o passar dos anos passou por certos aperfeiçoamentos. Sob a ponto de vista estrutural pode-se dizer que o modelo tanque-ilha, está ultrapassado.
- Confinamento: este modelo foi desenvolvido na Universidade Federal de Uberlândia, é caracterizado pelas suas pequenas dimensões (geralmente 10 m²) e por ser construído totalmente em alvenaria.
- Anfigranja: o que caracteriza este modelo, desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa, é a disposição linear de piscina, abrigos e cochos permitindo uma distribuição mais uniforme dos animais no interior do tanque. Os tanques (de alvenaria), são construídos no interior de galpões, semelhantes aqueles utilizados nas granjas de engorda de frangos.
- Gaiola: desenvolvido em meados da década de 80 pelo Instituto de Pesca de São Paulo, para ser utilizado em pesquisas de engorda de rãs. Este modelo, com certas modificações, acabou sendo adotado por alguns criadores, entretanto devido a dificuldades de manejo, principalmente no que diz respeito à distribuição de alimento, seu uso, para fins comerciais, ainda não é recomendado.
- Ranário climatizado, desenvolvido pelo Instituto de Pesca/SP, vem despertando muito interesse entre os criadores e todos aqueles que pretendem iniciar-se na atividade. Trata-se de um sistema de produção onde todos os setores (desde a reprodução até a engorda) são construídos no interior de estufas agrícolas. As instalações que compõem os diferentes setores apresentam várias melhorias estruturais que permitem, através de um manejo específico, uma produção praticamente constante ao longo do ano.



OS CUIDADOS


Em geral as rãs são animais bastante resistentes a quando criadas com o emprego das técnicas recomendadas, dificilmente ficam doentes. Pode-se dizer que o aparecimento de doenças nos ranários derivam do manejo incorreto dos animais e a introdução de agentes patogênicos.
Entende-se por manejo incorreto a má alimentação dos animais, instalações e condições ambientais inadequadas e manuseio incorreto. Esses fatores agindo em conjunto ou separadamente causam stress nos animais diminuindo as suas defesas naturais, tornando-os mais suscetíveis às doenças. A introdução de agentes patogênicos nos ranários pode se dar através de animais de origem desconhecida ou através dos próprios funcionários ou visitantes.
A ocorrência de doenças pode ser evitada tomando-se os seguintes cuidados: - Alimentar os animais corretamente, tanto sob e aspecto quantitativo como qualitativo;
- Criar os animais em ambiente adequado, controlando a qualidade da água, verificando se as instalações estão bem acabadas (ausência de cantos vivos, piso muito áspero, etc), realizando periodicamente a limpeza a higienização dos tanques, retirando sobras de ração, uti1izando as densidades recomendadas e observando se a temperatura ambiente está dentro dos limites recomendados.
- Manusear os animais com cuidada, fazendo os serviços com calma para não assusta-los, evitar golpes bruscos ou amontoá-los em numero excessivo em recipientes;
- Para introduzir novos animais no ranário, deixa-los de quarentena a fim da ver ficar se realmente estão sadios.
- Utilizar um pedilúvio na entrada do ranário e conscientizar os funcionários que nele trabalham, da importância de se adotar todas as medidas possíveis para se alcançar um bom padrão de higiene.


Assepsia


Com relação à limpeza das instalações o que usualmente se faz é esgotar as piscinas e com auxilio de vassouras ou escovas retirar todas as sujeiras e em seguida enxaguar com bastante água, fazendo-se a mesma com o piso quando se tratar da tanques de engorda. Para o caso do aparecimento de alguma doença, deve-se realizar uma desinfecção geral com o emprego de substâncias como cloro, cal, sal grosso (salmoura) ou ainda utilizar a vassoura de fogo (maçarico).
Os animais doentes devem ser separados e tratados e mentidos em observação. Os animais mortos devem ser removidos, incinerados ou enterrados em local apropriado. O tratamento de doenças, com a utilização de medicamentos, requer a orientação de um técnico capacitado e nem sempre é eficiente, além de ser muito caro.
 Legalização da atividade:

Como a ranicultura é um ramo da aqüicultura (arte de criar e multiplicar animais e plantas aquáticas), todo aquele que pretende montar o seu ranário é obrigado a fazer seu registro de aqüicultor junto ao Instituto Brasileira do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, conforme disposta na Portaria nº 95-N, de 30 de agosto de 1993. Para comercializar a sua produção o ranicultor também terá que obter e inscrição de produtor rural junto ao órgão competente

Um comentário:

  1. exelente informações.Onde consigo um plano de viabiliadade comercial?1000 kg mes.Obrigado

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